Data:
10/06/2013
Veículo:
Capitu
IMMACULADA
Heroína Romântica Gorada na Casca Trama pessoal e estratagemas comerciais e políticos se misturam em romance que dialoga com a nossa história e com as 'duas polaridades eternas do espírito humano' Immaculada, de Ivone C. Benedetti é um livro de várias camadas. A linguagem deixa que a história flua, ao mesmo tempo em que às vezes também brinca com as palavras. O controle do ritmo dos acontecimentos permite as reações emocionais associadas ao suspense: a leitura passa a ser mais veloz para saber do resultado de conflitos iminentes. A descrição dá as sensações do tato, do cheiro, do gosto, ao leitor; assim como avança pela personalidade e pelos pensamentos dos personagens. A história de sua protagonista, Immaculada, 'heroína romântica gorada na casca', atravessa períodos históricos e ideológicos distintos, o que nos possibilita propor um diálogo com nossa história e ideias atuais. De acordo com a autora, 'os fatos históricos são um caldo no qual fervilham as personagens, que, por sua vez, são capazes de transformar esse caldo. O que interessa são o fervilhamento e a transformação'. Os acontecimentos em nível pessoal e histórico se sucedem em interferência mútua. O livro conta a história de duas famílias que se relacionam por interesses políticos e econômicos. A protagonista, ainda na infância, é prometida como noiva e se torna vetor dessas relações ¿ e ao noivo o casamento é tão imposto, por sua posição social, quanto para ela. O casamento será uma convivência hesitante, uma situação que se degradará mais e mais. Enquanto isso, a história assiste à depressão de 29, a Getúlio Vargas, à 2ª Guerra Mundial. Desemboca na revolução de 64 ao mesmo tempo em que as expectativas românticas que surgiram durante a leitura foram asfixiadas pelas circunstâncias. A estória pode fazer com que o leitor anseie pela conclusão dos incidentes: ele acelera. Quando, se centrar na experiência psicológica, ele retarda; e quando o choque (da traição, da violência, da morte, do asco) ocorre, é sentida uma pausa brusca. O manejo do ritmo pela autora envolve e estimula a leitura. - Por: Duanne Ribeiro Veja a matéria completa e a entrevista com a autora, no portal da Capitu! (Copie e cole o endereço abaixo em seu navegador) http://www.revistacapitu.com/materia.asp?codigo=159&pagina=2
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Data:
10/06/2013
Veículo:
Jornal o Estado de S.Paulo
IMMACULADA
Rebeldia de uma heroína romântica e reprimida Immaculada faz cruzarem as trajetórias de duas famílias, com interesses econômicos e políticos importantes, na São Paulo dos anos 1920. Immaculada é o nome da protagonista que provoca esse encontro ¿ ou melhor, esse choque. Ela se casa com Francisco, formado em Direito e dono de fazendas no interior do Estado. O casamento é concebido como um artifício que ajudaria Francisco tanto na carreira profissional como na política. Segundo Benedito Antunes, professor de literatura brasileira da Unesp, o romance tem um andamento sóbrio permeado por rupturas de estilo. Immaculada surge como uma heroína romântica que se rebela no plano pessoal, embora pareça cumprir o seu papel imposto socialmente.
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Data:
10/06/2013
Veículo:
Jornal Valor
IMMACULADA
Classificação AA+ A São Paulo dos anos 20 e 30, época de grandes transformações, salta das páginas deste romance, com que a paulistana Ivone Benedetti, uma das principais tradutoras brasileiras, estreia na ficção. O enredo focaliza a história de duas famílias que se cruzam por interesses políticos e econômicos, uma da alta burguesia e outra de imigrantes italianos, e tem como eixo a trajetória do advogado e fazendeiro Francisco e de sua mulher, Immaculada, uma personagem em conflito entre as imposições de sua vida de casada e sua rebeldia interior. Ninguém menos que o conceituado filósofo e ensaísta Benedito Antunes recomenda da leitura. ¿Este livro é uma daquelas boas surpresas que acontecem na literatura.¿ (Luiza Mendes Furiá)
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Data:
10/06/2013
Veículo:
Diário do Nordeste
IMMACULADA
Caderno 3 ENTREVISTA Por Dellano Rios O drama, na casa e na rua Ivone Benedetti: tradutora veterana envereda pelo romance e reconstitui dramas públicos e privados da São Paulo dos anos 1920 Descendente de italianos e espanhóis, Ivone Benedetti sempre esteve perto das letras. Tradutora de longa data, é autora de transcriações memoráveis de autores difíceis (Barthes, Paul Ricoeur, Eliade). Acostumada a passear por quatro línguas estrangeiras (inglês, francês, italiano e espanhol), ela se concentra em seu português natal, em flertes necessários com o italiano, para construir seu primeiro romance, "Immaculada", ficção histórica que reconstitui São Paulo no começo do século passado. Em entrevista ao Caderno 3, Ivone Benedetti fala da sua obra, como autora e tradutora Seu envolvimento com a literatura vem de longa data, como estudiosa e como tradutora. Em que momento você sentiu que não podia mais ser "somente" uma intermediária, e que escreveria sua própria obra? Na realidade, a tendência à obra própria começou muito antes da atividade de traduzir. Escrevo desde a infância e só me tornei tradutora aos 36 anos. Dizem alguns que tradutor é escritor frustrado. No meu caso, pelo menos, foi assim. No primeiro volume de "A preparação do romance", Barthes fala do despertar da escrita que se dá pela leitura, de obras que incitam o leitor à ação, a tornar-se ele mesmo um escritor. Há alguma obra que tenha desempenhado esse papel na sua formação? Não sei se o movimento em direção à escrita se dá sempre da maneira teorizada por Barthes. Lembro-me que a minha atividade de escrever fabulando foi anterior ao meu contato com a literatura: eu tinha sete anos, acabava de ser alfabetizada, e já escrevia histórias capazes de surpreender os adultos. O que também me surpreendia, eu não sabia muito bem o que significava aquilo. Mais tarde, o contato com os escritores exacerbou o que já estava latente, mas durante muito tempo nem sonhei em publicar. Depois, sim, apareceram aqueles que despertaram desejo de escrever. Mas houve momentos diferentes. Na adolescência, Victor Hugo foi a mola. Li tudo dele. A minha geração foi muito influenciada pelo romantismo francês. Em "Immaculada" presto uma homenagem a ele. Em seguida veio Dostoiévski. Aos vinte anos, depois de "Crime e Castigo", ousei ler "Os irmãos Karamazov". Claro que precisei reler. Os contos dele ainda hoje me parecem exemplares. Eu lia aquelas traduções do francês, infiéis como elas só, mas era o que havia. Na época da faculdade, importantíssimo foi Graciliano Ramos, esse gênio literário que o Nordeste deu ao Brasil, entre tantos outros. Com ele aprendi o valor da concisão. São esses três que eu consigo distinguir no mar de autores que eu lia na juventude, na época em que comecei a achar que devia escrever. Machado de Assis, é interessante, nunca me incitou a escrever, só a ler, reler. Talvez por me deslumbrar. Seu sobrenome é italiano e você nasceu numa cidade de forte imigração italiana. Há alguma motivação, ou mesmo traço autobiográfico em "Immaculada"? "Immaculada" tem dois ambientes complementares: o da classe alta paulistana, à qual não pertenço, e o dos imigrantes italianos, que estão no meu DNA. No entanto, não há nada de autobiográfico no romance. É um livro de memória, mas não no sentido barthesiano, já que você citou "A Preparação". Claro, há vivências, é possível pinçar aqui e ali coisas que eu extraí da realidade observada ou mesmo vivida. Por exemplo, meu avô teve açougue no Itaim Bibi, muitos dos caracteres têm alguma relação com pessoas que conheci (principalmente Molinaro, Giulia, Marianna), mas o contato com a biografia pessoal não passa desse nível de coisa. Aliás, sinto certa aversão à autobiografia. Quando ela aparece, é sempre travestida. "Immaculada" me parece ter algo de "romance social", como se as ações e personagens apresentados fossem um recorte de uma realidade maior, que pode ser melhor compreendida com a observação desse "estudo de caso". Como você se dedicou à reconstituição desta cidade de São Paulo que não existe mais? Você acertou. "Immaculada" seria um caso pessoal possível dentro de uma realidade maior determinante, mais especificamente, a da transição da República Velha para o Estado Novo em São Paulo. Eu diria que seu cunho é mais político que social. Muitos qualificam o romance de histórico. Não é, as personagens são fictícias. O caráter político é bem forte, pois algumas personagens importantes fazem parte de um segmento que à certa altura perdeu o controle das coisas e, embora se desse bem no plano econômico, não conseguia se inserir no poder central da forma como ocorria antes. Assim, por trás de uma trama pessoal e regional, há o pano de fundo nacional, e a ponta do fio condutor vai se amarrar lá embaixo, em 1964. Isso é importante. Quanto à reconstituição de um passado que não vivi, foi de fato a parte mais difícil. Havia, claro, as recordações familiares, falava-se muito de história e política em casa, as coisas eram sempre descritas com muita vivacidade, eu sorvia tudo aquilo. Meu pai foi meu primeiro e grande cicerone pela história da cidade e do país. Além disso, sempre tive prazer em visitar a arquitetura antiga da cidade, percorrer os bairros centrais pelo simples prazer de sentir tatos e cheiros, ler placas, imaginar passados e lembrar casos. Mas quando comecei a escrever, precisei pesquisar muito. Foi um trabalho de reconstrução. Às vezes passava quinze, vinte dias estudando, e o produto final era um capítulo de alguns parágrafos. Como tradutora, você tem um compromisso ético com aquele texto que vai transcriar. No caso da sua escrita literária, onde se encontram os limites do que se pode e do que não se pode fazer? Pergunta difícil. Imagino aí vários aspectos do ético. Para simplificar, parto da tradução, que você mencionou, e digo que não aceitaria traduzir uma obra que incitasse, por exemplo, à violência, à discriminação, à guerra. Esses ingredientes e outros estão presentes na nossa vida diária, portanto na ficção, mas não me parece lícito transformá-los em fonte de fruição. Cada um de nós é responsável pelo que instila nos outros. O nó da questão, portanto, não está na presença ou não desses ingredientes na ficção, mas sim no modo como eles se fazem presentes. Está no olhar com que o autor os põe ali, olhar que se insinua por meio das palavras, sobre as quais o escritor tem maior ou menor domínio, dependendo de sua destreza, olhar que o leitor pode não saber explicar racionalmente, mas que sempre intui, rejeitando ou absorvendo. ROMANCE "Immaculada" Ivone C. Benedetti R$39,80 308 páginas 2009 WMF MARTINS FONTES Os anos 20, em São Paulo, são quase míticos para a literatura. Afinal, foi a década do despontar modernista, signo das próprias transformações por que passou a cidade em direção à metrópole se tornou. Em tese, é a mesma cidade que serve de cenário (talvez mais do que isso: universo ficcional) ao romance de estréia de Ivone Benedetti. No entanto, o que se vê é a construção precisa da vida social de uma cidade bem mais complexa, com contrastes políticos e econômicos que se traduzem em dramas, na casa e na rua. A trama se desenvolve em torno do casal Immaculada e Francisco. Filho de uma fazendeiro do interior de São Paulo, ele passa a viver na capital como advogado, e vê em seu casamento um caminho necessário à sua escalada profissional e política na cidade. Na escrita de Benedetti (que se esforça para "contar" bem a história, sem abrir mão do estilo, mas sem evidenciar as estruturas que sustentam o romance), o drama doméstico passa a dialogar com o contexto sócio-político que envolve os personagens. Destaques para a presença do elemento italiano no romance, que surge no campesinato, no operariado urbano e mesmo na emergente burguesia. (DR) DELLANO RIOS REPÓRTER
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