Data:
10/06/2013
Veículo:
Estado de Minas
TEIMOSIA DA IMAGINAÇÃO - DEZ ARTISTAS BRASILEIROS
Simplesmente Arte Livro destaca a criatividade, potência poética e o talento de 10 artistas populares brasileiros por Walter Sebastião Artistas populares cuja obra apresenta qualidade formal que nada deixa a desejar em relação a nomes da arte contemporânea. Assim a artista plástica Germana Monte-Mór define os 10 participantes da exposição Teimosia da imaginação e do livro homônimo, publicado pela Editora Martins Fontes. O projeto foi organizado por ela em parceria com o crítico Rodrigo Naves. Teimosia da imaginação reúne os artistas populares Dona Izabel e Jadir João Egídio, de Minas Gerais; Antônio de Dedé, que mora em Alagoas; Aurelino e Nilson Pimenta, da Bahia; Francisco Graciano, no Ceará; o mineiro Getúlio Dalmado, radicado no Rio de Janeiro; José Bezerra, do Ceará; Manoel Galdino, de Pernambuco; e o sergipano Cícero Alves dos Santos, o Véio. Tudo começou com o projeto da produtora Malu Viana de produzir documentários sobre arte popular, iniciativa que recebeu incentivo do governo pernambucano. A cineasta procurou Vilma Eid, presidente do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, onde Germana Monte-Mór atua. A proposta se expandiu para livro, exposição e filmes apresentando as obras com o propósito de valorizar a individualidade, a autonomia de linguagem e a potência poética de cada autor. Essa opção, explica Germana, é essencial para enfrentar um problema grave da arte popular: a mistura de vários artistas e obras, ¿o que acaba gerando confusão e pouco esclarecimento¿. A TV Cultura exibe documentários sobre o grupo às quartas- feiras, às 22h30, e aos domingos, às 15h30. O projeto tem foco no Nordeste, mas buscou amplitude geográfica. A escolha de artistas vivos se deve à opção de gravar depoimentos para os documentários. Nenhum dos participantes tem livro individual sobre sua obra. ¿Até os anos 1970, arte popular ganhou visibilidade, mas desde então ficou restrita¿, observa Germana Monte- Mór. Ela suspeita que tal fato se deva à movimentação observada há quase quatro décadas para inserir a arte contemporânea no mercado brasileiro e internacional, o que acabou deixando na sombra outras manifestações. ¿Há também preconceitos vindos da falta de informação, cultura e de vivência¿, lembra. Por causa disso, o trabalho de um artista popular é visto como se fosse artesanato ou algo menor. Germana observa que todos os integrantes do projeto dominam sua linguagem, criando expressão própria. ¿Eles tiveram muita dificuldade de serem artistas, mas se perceberam nessa conduta, o que é muito significativo¿, destaca. A opção não foi fácil. ¿Eles foram chamados de loucos, conviveram com a desvalorização do que faziam, mas não desistiram. Acreditam no seu fazer, sabem que são artistas. É maravilhosa a grande gama de práticas ali: são escultores, pintores, ceramistas ou fazem colagens¿, comenta ela. A artista plástica, que fotografou as fotos incluídas no livro, gostaria que os brasileiros valorizassem esses criadores e conhecessem as obras deles. ¿São artistas atuantes, significativos e com carreira¿, garante. O trabalho foi dedicado a Lélia Coelho Frota, Paulo R. Vasconcellos e Janete Costa. Germana explica que esse trio faz parte do pequeno grupo que fez muito pela arte popular brasileira. Arte popular, ressalta ela, carece de mais pesquisa e, especialmente, de documentação. ¿Trata-se de um universo rico sobre o qual a informação ainda é muito pobre¿, lamenta. Mas há boas notícias: curadores passaram a conhecer melhor os autores populares, encantando-se com o trabalho deles; por outro lado, o programa de pontos de cultura tem possibilitado que o gênero se fortaleça. ¿Isso está ocorrendo em várias linguagens, como música, dança e teatro, por exemplo¿, comemora Germana. TEIMOSIA DA IMAGINAÇÃO Textos de Maria Lúcia Montes e Rodrigo Naves. Fotos de Germana Monte-Mór. Editora WMF Martins Fontes, 320 páginas
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Data:
10/06/2013
Veículo:
Guia da Folha / Folha de S. Paulo
TEIMOSIA DA IMAGINAÇÃO - DEZ ARTISTAS BRASILEIROS
TEIMOSIA DA IMAGINAÇÃO Acompanhando exposição homônima em cartaz no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo), "Teimosia da Imaginação - Dez Artistas Brasileiros" percorre a obra de representantes da chamada "arte popular" do Nordeste e de Minas Gerais. A etiqueta redutora, porém, é colocada em xeque pela curadoria, que assina os textos de apresentação e propõe discutir (e dissolver) as separações entre erudito e popular, alta costura e folclore, arte pura e artesanato. A exemplo de designers que transformam objetos industriais em artefatos estéticos, esses artistas partem de utensílios artesanais - moringas, móveis, peças decorativas - para criar uma linguagem própria. Não faltam telas que remetem à mitologia da floresta do sertão, de feição ingênua, mas os torsos do pernambucano José Bezerra, as miniaturas do sergipano Cícero Alves dos Santos ou os "brinquedos" do mineiro Getúlio Damado são uma resposta agreste às demandas do pop e da arte conceitual (MANUEL DA COSTA PINTO) AUTOR: Germana Monte-Mór e Rodrigo Naves (org.) EDITORA: WMF Martins Fontes QUANTO: R$ 120 (290 págs.) AVALIAÇÃO: ótimo
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Data:
10/06/2013
Veículo:
Folha de S.Paulo
TEIMOSIA DA IMAGINAÇÃO - DEZ ARTISTAS BRASILEIROS
Mostra dá a arte popular status de contemporânea Exposição no Instituto Tomie Ohtake é parte de processo de valorização Sorte dos artistas ditos populares começou a mudar em 2000, com a entrada deles nas grandes exposições ANA PAULA SOUSA COLABORAÇÃO PARA A FOLHA Primeiro, foram retirados de cena os termos "naify" e primitivo. Agora, no livro "Teimosia da Imaginação" (WMF Martins Fontes, R$ 120), o crítico Rodrigo Naves dá um passo além e põe de escanteio o adjetivo "popular". [Reunimos] um material que ajuda a colocar em xeque a concepção que vê na produção artística das camadas mais pobres da população um caráter exclusivamente singelo e lírico, diz Naves. Somados o livro, a exposição de mesmo nome e dez documentários que serão exibidos pela TV Cultura a partir de 4 de abril, temos, como resultado, uma pergunta: por que não tratar os artistas populares, simplesmente, como artistas contemporâneos? Durante muito tempo, achou-se que a arte popular estava morta, responde a galerista Vilma Eid. "O mercado ficou restrito aos ícones", diz, referindo-se a José Antonio da Silva (1909-1996), Vitalino (1909-1963) e G.T.O. (1913- 1990). VERNIZ A sina dos artistas que chegam ao Instituto Tomie Ohtake começou a mudar no início dos anos 2000, quando, na mostra "Brasil 500 Anos", Emanoel Araújo montou o módulo de arte popular. Seis anos depois, Lisete Lagnado colocaria o acreano Hélio Melo na Bienal de SP. O mercado, como era de se esperar, abriu os olhos: os preços nos leilões subiram e, em galerias especializadas, os artistas receberam uma mão de verniz, tendo catálogos assinados por grifes da arte dita erudita e vernissages com champanhe. Vivemos um momento de reconhecimento da beleza e da verdade dessa arte, diz Roberto Rugiero, da Brasiliana, a mais antiga galeria dedicada ao gênero em São Paulo. Parte do reconhecimento vem do exterior. A Fundação Cartier, de Paris, por exemplo, exibirá obras de Veio, José Bezerra e Nilson Pimenta. Por aqui, os preços de alguns artistas dobraram em um ano. Estão, é claro, longe de Adriana Varejão ou Waltercio Caldas, mas batem na casa dos R$ 20 mil. Em vista do que eu era, tô milionário. Antigamente, se tivesse na roça, tava ganhando vinte real por dia. Hoje, graças a Deus, faço minha roça no quadro, diz Pimenta. "Em Santa Teresa, tive a ideia de criar o bondinho. Todo mundo ficou entusiasmado. Deu no 'Jornal do Brasil', daí passei para 'O Globo', fiquei conhecido", conta Getúlio Damado. O que os dez artistas de "Teimosia da Imaginação" têm em comum é o ponto de partida e o ponto de chegada. Partiram da lavoura ou do trabalho braçal nas cidades. Chegaram a uma linguagem própria e cheia de significado -ou seja, à arte.
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Data:
10/06/2013
Veículo:
O Estado de S. Paulo
TEIMOSIA DA IMAGINAÇÃO - DEZ ARTISTAS BRASILEIROS
Obras de dez criadores são apresentadas em exposição, livro e documentários 'Teimosia da Imaginação - Dez Artistas Brasileiros' reúne peças de criadores autodidatas Camila Molina - O Estado de S.Paulo O artista José Bezerra, nascido em Buíque, Pernambuco, teve um sonho ou uma visão num dia de domingo para segunda-feira, como conta. Dormindo em uma rede, fora de casa, viu um grande véu branco em formato de um grande homem que lhe disse: "Ô, Zé Bezerra, você é um artista e vai viver das matas". Desde então, começou a esculpir em madeira ou fazer nascer de pedaços de troncos brutos, formas de animais, quase abstratos, únicos. Arte ou artesanato? Interessa é o criar uma linguagem própria, independentemente de se ter uma formação, diz a artista Germana Monte-Mór, que assina a curadoria da mostra Teimosia da Imaginação - Dez Artistas Brasileiros, a ser inaugurada nesta terça-feira, 28, no Instituto Tomie Ohtake. Assim como obras de Bezerra, há ainda na exposição criações - esculturas, cerâmicas, pinturas e desenhos - de Izabel Mendes, Véio (Cícero Alves dos Santos), Antonio de Dedé, Manoel Galdino, Aurelino, Francisco Graciano, Nilson Pimenta, Getúlio Damado e Jadir João Egídio. São peças de criadores que tiveram um ensejo natural de ser artista, mas por serem autodidatas e produzirem uma obra a partir de seus lugares de origem, ficam classificados no gênero da arte popular ou arte do povo brasileiro. São, enfim, terminologias. Mas que podem ser repensadas. "Nos Estados Unidos, ao menos nas artes visuais, ¿pop¿ (uma abreviação do termo popular) significa praticamente o oposto daquilo que, em geral, a mesma palavra designa entre nós. Nas telas de Andy Warhol, sua melhor tradução, ¿pop¿ diz respeito a uma realidade que rompeu totalmente os nexos que poderia manter com a experiência", escreve o crítico Rodrigo Naves, cocurador de Teimosia da Imaginação, no prefácio do livro, editado pela WMF Martins Fontes e Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, que acompanha a exposição. Falas. Mostra e publicação, assim, fazem parte de um projeto amplo. Na verdade, toda a empreitada nasceu da ideia de se fazer documentários sobre 10 artistas da arte popular. A produtora Polo de Imagem, em parceria com a TV Cultura, definiu com o Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, criado em 2006, os criadores que seriam retratados nos filmes. Malu Viana Batista, diretora da produtora, a colecionadora Vilma Eid e Germana Monte-Mór, respectivamente, presidente e consultora do Instituto do Povo Brasileiro, fizeram uma seleção que privilegiasse criadores vivos, para que os documentários tivessem suas falas. Só o Galdino não é vivo, mas o diretor Claudio Assis tinha horas de gravações com ele, conta Germana. Além do cineasta Assis, premiado autor de filmes como Amarelo Manga e Baixio das Bestas, os episódios, com 26 minutos de duração e que serão exibidos na TV Cultura, também são assinados por Hilton Lacerda, Cecília Araújo, Rodrigo Campos e Adelina Pontual. Os cineastas foram a campo - ao Nordeste, onde vivem Antonio de Dedé, Aurelino, Véio, Graciano e Bezerra; a Minas, para gravar Damado, dona Izabel e Egídio, e a Mato Grosso, para retratar Nilson Pimenta. O livro Teimosia da Imaginação, assim, representa cada um dos criadores dando maior voz aos depoimentos de cada um - como o do sonho de Bezerra, citado -, editados pela antropóloga Maria Lucia Montes. "Há uns mais articulados, como o Véio. Já Aurelino é esquizofrênico", conta Germana, que fez fotografias dos artistas e seus locais de trabalho. A exposição, agora, é mais uma forma de dar o devido espaço para as criações subjetivas, imaginadas, desses artistas (leia mais ao lado), de um gênero que, também, vem adquirindo ascensão, nos últimos cinco anos, no mercado de arte. Com obras de diversas instituições, a mostra dedica áreas como salas com conjuntos de cerca de 10 peças de cada um, datadas de diversos períodos. "Cidade e campo, ensinamento e experiência, loucura e relação serena com o meio, procedimentos modernos e técnicas tradicionais deixam de se pautar por parâmetros claros e excludentes. No mais das vezes eles se encavalam de maneira mais ou menos violenta, dando origem a trabalhos de arte que guardam a lembrança dessas relações complicadas e imperfeitas", tão bem define Naves.
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Data:
10/06/2013
Veículo:
Terra Magazine
TEIMOSIA DA IMAGINAÇÃO - DEZ ARTISTAS BRASILEIROS
Teimosia da Imaginação" discute contribuições da arte popular. Claudio Leal O projeto multimídia "Teimosia da Imaginação, dez artistas brasileiros", iniciativa do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro (IPB), será lançado em 28 de março, às 20h, no Instituto Tomie Ohtake, com múltiplas apostas para estimular o debate sobre a arte popular no Brasil, tema frequentemente abafado pelo amplo espectro da "arte contemporânea". Através de três linguagens - livro, documentário e exposição -, o projeto pretende destacar as teimosias artísticas de Antonio de Dedé, Aurelino, Francisco Graciano, Getúlio Damado, Izabel Mendes, Jadir João Egídio, José Bezerra, Manoel Galdino, Nilson Pimenta e Véio, provenientes de diversas regiões brasileiras. Coeditado pela Editora Martins Fontes e o instituto do IPB, um livro trará os depoimentos dos artistas selecionados pela antropóloga Maria Lúcia Montes, além de ensaio do crítico Rodrigo Naves e fotos dos criadores nos locais de trabalho. A exposição das obras dos dez selecionados, com curadoria de Germana Monte-Mór e Naves (curador adjunto), complementa o impacto do livro e dos curtas. Colaboradora da galeria Estação, em São Paulo, Germana conta que a mostra nasceu a partir do esboço dos filmes da Pólo de Imagem, em parceria com a TAL e a TV Cultura, sob direção executiva de Malu Viana Batista. Depois da aprovação do projeto, Germana, a presidente do Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, Vilma Eid, e Malu partiram para a escolha dos artistas. Dirigidos por Claudio Assis, Cecília Araújo, Hilton Lacerda, Rodrigo Campos e Adelina Pontual, com trilha sonora de Lívio Tratenberg e duração de 26 minutos, os dez documentários entrarão na grade da TV Cultura. - Às vezes, o artesanato e o trabalho de arte popular ficam muito pertos um do outro. É difícil esse conceito. Na galeria, a gente trabalha com artista que a gente considera que é artista. E trazemos os críticos de arte contemporânea para pensar a arte popular - relata Germana Monte-Mór. Para a curadora, "dos anos 70 para cá, a arte popular ficou bem esquecida". - Houve a Semana de 1922, que procurou valorizar a arte genuína brasileira, teve o Mário Pedrosa, o Augusto Rodrigues (organizador da 1ª Exposição de Cerâmica Pernambucana), que levou o (Mestre) Vitalino pro Rio. Houve um tempo que as pessoas valorizavam a arte popular. Hoje, há uma preocupação dos artistas de estarem inseridos na arte contemporânea mundial - avalia. Exposição Teimosia da Imaginação, dez artistas brasileiros Curadoria: Germana Monte-Mór e Rodrigo Naves (curador adjunto) Visitação: a partir de 29 de março De terça a domingo, das 11h às 20h Entrada franca
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