Data:
10/06/2013
Veículo:
Diário do Nordeste - Fortaleza
SERGIO ROMAGNOLO
Produção midiática Catálogo traça panorama da obra do artista paulista Sérgio Romagnolo. A edição bilíngue conta com textos dos críticos de arte Agnaldo Farias, Oswaldo Corrêa da Costa, além de ficção do próprio artista. Os desenhos, as pinturas e as esculturas do artista paulistano Sérgio Romagnolo são marcadas por inúmeras referências da cultura de massa. Toda uma imagética high tech que ressoa para além do "popismo" dos anos 1960. Seu universo artístico é permeado, então, por personagens de desenhos animados, quadrinhos e um recorrente conjunto de homens e mulheres assemelhados com super- heróis, metidos em situações prosaicas e outras vezes extravagantemente surreais. Romagnolo tem como principais influências a produção de artistas renomados, como Nelson Leirner, Regina Silveira e Julio Plaza. Em seus trabalhos, ele também explora o universo urbano e industrial, recriando peças como carros, prédios, aviões, máquinas fotográficas e latas de lixo elaboradas em plástico aquecido e moldadas à mão. O artista agrega imagens diversas em situações inesperadas. As obras, longe de serem aleatórias, apresentam ao espectador uma narrativa com soluções inteligentes e, por vezes, curiosas. Publicação É verdade que o começo da carreira de Romagnolo aconteceu no momento em que a pintura, após anos de ostracismo, voltava a ser celebrada. Mas esse ruidoso acontecimento não logra explicar sua pesquisa, que sempre se moveu por outras fronteiras, o que terminaria por afirmá-lo como um autor singular, assim lhe descreve o crítico de arte Agnaldo Farias no livro "Sérgio Romagnolo", lançado recentemente pela WMF Martins Fontes. A obra faz um apanhado dos momentos mais importantes da carreira do artista. Ela traz reproduções de seus trabalhos, além de fotos de exposições. Incluindo, ainda, textos dos críticos de arte Agnaldo Farias, Oswaldo Corrêa da Costa e do próprio Romagnolo. Ao final do livro, há uma versão em inglês dos textos. Através da publicação é possível verificar que as imagens e os assuntos abordados pelo artista, constituem uma parcela do mundo imagético de que pertencemos. A matéria-prima que compõem sua poética abriga uma diversidade de objetos: sandálias, tijolos, instrumentos musicais, os míticos profetas do Aleijadinho e personagens nossos conhecidos da TV: He-Man, Flintsones, Bambi e a Feiticeira. Basta enveredar por esse inventário de singelezas e objetos ordinários para concluir que o olhar de Romagnolo bifurca-se entre a crítica e o lirismo, entre a análise da representação e a consequência que ela nos constitui. Uma ambivalência presente já em suas primeiras pinturas: os retratos de amigos, familiares, pessoas próximas, realizados logo no início dos anos 1980, escreve Agnaldo Farias. Relevos Outro destaque importante contido na obra, encontra-se no texto escrito pelo crítico Oswaldo Corrêa da Costa, que se baseia numa apresentação predominantemente visual feita em maio de 2009, durante a retrospectiva de Sérgio Romagnolo no ¿Instituto Tomie Ohtake¿. De acordo com Oswaldo Corrêa da Costa, para não ser redundante, ele apresenta uma nova leitura sobre a coletiva. Realçando a complexidade dessa obra a partir de outros aspectos. Um deles, chama atenção para os relevos no trabalho do artista. O relevo exerceu papel notável na Antiguidade (Assíria, Egito e Grécia), em parte por um meio de conferir profundidade ao plano quando a perspectiva ainda não havia sido inventada. No Renascimento esteve presente nas portas esculpidas pelo italiano Lorenzo Ghiberti e nas delicadas madonas de Luca della Francesca. Com o modernismo, o relevo ressurgiu na produção de muitos artistas, a exemplo de Picasso e Miró. Essa técnica exerceu papel significativo nas obras iniciais de Robert Rauschenberg e Jasper Jonhs. A meu ver, o relevo ocupa posição central na produção de Romagnolo. Os primeiros deles fazem dois saltos categóricos e cruciais: para a materialidade do plástico e para a terceira dimensão. Não tardou para que os relevos se transformassem em algo mais próximo de esculturas pregadas na parede, diz o crítico. Ele também considera os relevos de Romagnolo como uma das mais interessantes contribuições da arte contemporânea. "É nos relevos, principalmente os abstratos, que vejo a interseção mais feliz das qualidades de Romagnolo. Sua pintura, diferente do relevo, nunca é abstrata, e nela as imagens competem com a matéria. É, finalmente, nos relevos abstratos que chegamos ao auge de uma evolução natural, onde a não imagem e a falsa matéria existem em perfeito equilíbrio de forças", conclui. Catálogo Sérgio Romagnolo Agnaldo Farias e Oswaldo Corrêa da Costa Editora: WMF Martins Fontes Edição: 2011 238 páginas R$ 98 Fique por dentro Perfil Sérgio Mauro Romagnolo nasceu em São Paulo, em 1957. Ele é escultor, pintor, desenhista, artista intermídia e professor. Em 1980, ingressa no curso de artes plásticas da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), na capital paulista. Entra em contato com a obra de Regina Silveira, Nelson Leirner e Julio Plaza. Entre 1980 e 1984, é professor nas redes pública e privada de ensino. Leciona pintura na Faap entre 1985 e 1986. Nesse ano, realiza sua primeira exposição individual na Galeria Luisa Strina, em São Paulo. No início da década 1990, passa a dedicar-se à escultura e atua como professor em oficinas e workshops. Participa da Bienal Internacional de São Paulo em 1977, 1983, 1987 e 1991. Em 1999, finaliza o mestrado em artes na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, com a dissertação "Esculturas: Rugas e Alegorias" e, em 2002, conclui o doutorado em artes na mesma instituição, com a tese "O Vazio e o Oco na Escultura". Entre 2000 e 2005, leciona na Faculdade Santa Marcelina, São Paulo e a partir de 2007, na Universidade Estadual Paulista (Unesp). *Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural Artes Visuais ANA CECÍLIA SOARES REPÓRTER
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Data:
10/06/2013
Veículo:
Folha de São Paulo - Guia da Folha
SERGIO ROMAGNOLO
Super-heróis, carros e casais Por Daniela Name Sergio Romagnolo¿, livro sobre o artista paulistano, preenche uma importante lacuna na produção da arte contemporânea brasileira. Com textos de Agnaldo Farias e Oswaldo Corrêa da Costa, a edição mostra a diversidade da obra de Romagnolo, que ganhou notoriedade junto com o conjunto de artistas chamado de ¿Geração 80¿. O volume editado pela WMF Martins Fontes amplia a discussão não só sobre a obra deste artista tão singular, mas sobre todo o grupo de seus contemporâneos. Mais do que retomar à pintura, talvez o papel dessa geração tenha sido reinventar uma relação direta com a imagem. Importada de inúmeras referências, ela ganha na pintura inicial de Romagnolo o rosto dos heróis das histórias em quadrinhos e as cores fortes do videoclipe. A partir do fim dos anos 1990, sua pintura ganha o espaço, transformando-se em ¿esculturas¿ monocromáticas. Tal passagem é comentada nos dois textos críticos do livro. Para Farias, sair do plano bidimensional foi a forma encontrada pelo artista para adensar sua relação com a imagem, dando aspecto físico a este aprofundamento através da grossa massa de tinta com que cobre de Fuscas as figuras humanas. Já Corrêa da Costa insere Romagnolo em uma tradição no uso do relevo que percorre não só movimentos artísticos dos anos 1980, como a bad paiting dos EUA, mas toda a história da arte. A ¿cereja¿ do livro vem em páginas tingidas de vermelho: é o primeiro capítulo de ¿A Feiticeira e as Máquinas¿, ficção pop escrita pelo artista que é permeada pela mesma atmosfera de sua obra: super-heróis, carros e histórias de casal. AUTORES Agnaldo Farias, Oswaldo Corrêa da Costa e Sergio Romagnolo EDITORA WMF Martins Fontes QUANTO R$ 98 (240 págs.) AVALIAÇÃO bom
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Data:
10/06/2013
Veículo:
Revista IstoÉ
SERGIO ROMAGNOLO
Família de super-homens Sergio Romagnolo/ textos de Agnaldo Farias e Oswaldo Corrêa da Costa/ Editora Martins Fontes/ R$ 98 Sergio Romagnolo pertence à família dos artistas que conversam com super-heróis. Como o clássico da videoarte, Technology/Transformation: Wonder Woman (1978), de Dara Birnbaum, ou como nas sagas western de Quentin Tarantino, as pinturas que Romagnolo realizou nos anos 80 do Capitão América hipnotizado ou do Batman emboscado em armadilhas são homenagens sombrias à indústria do entretenimento. A trajetória dos deuses, semideuses, santos e super-heróis que marcaram os 30 anos de carreira do artista paulistano é apresentada no livro que acaba de ser editado pela Martins Fontes. Romagnolo começa seu trabalho pictórico no início dos anos 80, aos vinte e poucos anos, influenciado pelos desenhos animados e seriados das tardes da infância para a adolescência, segundo indica o crítico Agnaldo Farias no texto ¿O Corpo Denso da Imagem¿, produzido para o livro. Em sua primeira série de pinturas aparecem Batman e Robin em frames fora de registro. Essa representação juvenil ¿ mas já vigorosa ¿ da cultura de massa evolui para a criação de uma iconografia própria de heróis: em 1985, as telas de Romagnolo passam a ser povoadas por um casal de anti-heróis de face idêntica, olhar melancólico e postura corporal invariavelmente prostrada. No final dos anos 80, a pintura de Romagnolo salta para a escultura e começa a perder contato com a figuração. Agora modelados em fibra de vidro ou plástico, seus personagens midiáticos entram em processo de transformação. O derretimento da imagem propiciado pela nova técnica traz à tona o interesse por santos e ícones religiosos e uma nova família de ídolos do imaginário contemporâneo: do tênis Mizuno à sandália Havaiana, passando pelo Fusca e instrumentos musicais, como ¿Piano com Pantufa¿, de 2002. Na última série de trabalhos, num surpreendente movimento de volta à pintura, o artista retoma a técnica usada em Batman para representar a Feiticeira. A heroína migra da tela da tevê dos anos 70 para as telas de Romagnolo de 2008 e ainda para um texto de autoria do artista, ¿A Feiticeira e as Máquinas¿, cujo primeiro capítulo está reproduzido na monografia recém-publicada. P. A.
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