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    PLATERO E EU

    Data: 06/03/2010
    ISBN: 9788578273132
    Veículo: Folha de São Paulo
     
    Matéria:
    Jiménez evoca melancolia irônica de Bandeira em saga autobiográfica


    NOEMI JAPFE
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


    No livro "Meus Poemas Preferidos", de Manuel Bandeira, publicado pouco antes de sua
    morte, em 1966, o poeta seleciona, entre outros, cinco poemas do espanhol Juan
    Ramón Jiménez. Não é à toa. Afinal, de quem são essas palavras: "É terno e mimoso
    como um menino, como uma menina...; mas forte e rijo por dentro, como de pedra.
    ( ... ) Ele tem aço. Aço e, ao mesmo tempo, prata de luar"?
    De quem são as palavras e de quem é a ternura misturada à dureza do aço? De quem
    são as reticências seguidas de ponto e vírgula? São de Jiménez, do livro "Platero e
    Eu" (em nova tradução e edição bilíngue), mas poderiam tranquila (e ferreamente)
    ser de Bandeira.

    É mesmo inevitável, para um leitor brasileiro, acompanhar as venturas e (poucas)
    desventuras desse estranho narrador de Jiménez e não lembrar sempre e imediatamente
    da ternura, da melancolia e de uma certa ironia de Bandeira o narrador de
    "Platero e Eu" suscita estranhamento porque carrega muito da autobiografia
    do escritor é de Moguer, a mesma aldeia em que o autor nasceu; conhece Shakespeare,
    Ronsard e passa o inverno com os livros – mas é, ao mesmo tempo, uma mistura de
    louco e bobo, de barbas longas, que anda para lá e para cá montado em cima de um
    burro.

    Trata-se, portanto, de uma mistura livre de autobiografia e invenção, o que mais
    uma vez nos lembra de Bandeira e mais uma vez confirma como, em literatura, a
    averiguação da verossimilhança dos fatos tem muito pouca importância.

    O que importa mesmo é conhecer a infância que permanece morando nas palavras de um
    escritor como Jiménez que já em 1917 era um autor consagrado (ganhou o Nobel em
    1956), a amizade que liga o protagonista a seu burrinho, o tempo e as estações
    percebidas pelo olhar de um ser que é ao mesmo tempo burro e homem.
    Nas andanças, vamos também nós aprendendo o que não se aprende na escola, uma das
    instituições condenadas pelo narrador, junto com a igreja: as flores e as estrelas.
    E só podemos então concordar com a ideia de que os homens bons deveriam ser
    chamados de asnos, os asnos maus deveriam ser chamados de homens e que a palavra
    asnografia, dicionarizada, deveria ser definida assim: "Descrição do homem imbecil
    que escreve dicionários".

    Ao final da leitura, cíclica como as estações do ano que a narrativa vai pintando
    em textos curtos, o leitor se torna também ele um amigo de Platero e sabe, também
    ele, e como sabia Manuel Bandeira, dizer o porquê das coisas serem como
    são: "Porque sim".

    PLATERO E EU
    Autor: Juan Ramón Jiménez
    Tradução: Monica Stahel
    Editora: WMF Martins Fontes

     

     

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    Introdução à análise do direito
    Carlos Santiago Nino
     
    Libertação animal
    Peter Singer
     
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    O que é uma criança
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    Edison Carneiro
     
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    Pascal Dupond
     
     
    SAIU NA MÍDIA

    Data: 05/09/2010
    ISBN: 9788578273057
    Veículo: Livraria da Folha
    Matéria:

    Em 12 sessões, livro apresenta como funciona tratamento de caso clínico...


    Data: 18/08/2010
    ISBN: 9788578272784
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    Data: 21/08/2010
    ISBN: 9788578272067
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